Das primeiras apresentações do Composition Of Sound até o abandono de Vince Clarke, o papel de Martin Gore no Depeche Mode não tem sido fácil. Ainda que hoje em dia, seu nome sempre é lembrado na hora de elaborar uma lista do tipo 'os dez mais', isso não o entusiasma muito. "É embaraçoso ter um disco de ouro na parede. É meio como dizer: Veja como sou famoso.".
       Atualmente Martin sempre demostra ser uma pessoa extremamente calma, mas nem sempre foi assim. Quando era criança vivia brigando e arrumando confusões, seus pais estavam desesperados. "Mas isso tudo mudou, um dia quando minha mãe me surpreendeu espancando um garoto com um tijolo. Meu pai não me bateu, limitou-se a explicar-me que aquilo não estava certo, a partir de então, não sei porque, parei com as brigas e me tornei-me, um garoto muito tranqüilo.".
       Na época da escola além das partidas de cricket e aulas de francês, o que mais atraía a Martin eram as aulas de língua alemã. "Na escola me graduei em francês e alemão e pretendia trabalhar em algo relacionado com isso. Fazendo traduções, numa agência de viagens, por exemplo. Porém era quase impossível.". Na verdade o que mais atraia Martin às aulas de Alemão, não eram as declinações do complicado idioma alemão, mas sim as viagens de intercâmbio oferecidas pela escola. Através dessas viagens, Martin passava algumas semanas de varão em uma granja no povoado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha. "A vida no campo em pequenas doses, pode ser muito divertida.".
       Com pouco mais de dezesseis anos Gore, comprou uma guitarra, aprendeu alguns acordes e formou uma banda chamada Norman And The Worns. Logo em seguida conheceu Vince Clarke, com que formou o French Look. Mais adiante ainda, com o mesmo Vince Clarke e mais um colega de escola, Andrew Flatcher formou o Composition Of Sound. "Vince e Andy estavam fortemente envolvidos em uma associação religiosa chamada Brigade Boys. Acho que eles pensavam que iam conseguir minha salvação, mas eu via tudo aquilo como um mero espectador.".

Martin Gore no final dos anos 70.

       A história detalhada desse começo musical, está explicada na sessão história, porque o que importa aqui, é o papel de Martin nisso tudo. Vale ressaltar, que naquela época um tímido Martin, muito inseguro com a qualidade de suas composições, sempre esteve a sombra de um despreocupado e dinâmico Vince. Mas o abandono de Vince, colocou Gore na linha de frente do Depeche. "Foi jogado nisso.". Agora ele tinha de se acostumar com a idéia de compor doze ou treze músicas para um único disco. "Sempre compus, desde os treze anos. Tinha algumas canções guardadas comigo.". Certamente isso tenha contribuído para que A Broken Frame fosse um álbum muito irregular e não superasse as expectativas criadas com Speak & Spell. "Por sorte éramos jovens e despreocupados. Se isso acontecesse hoje, iríamos dizer que vamos fazer agora? O segundo álbum não era nenhuma obra-prima, mas dava pro gasto, eu acho.". Ainda que realmente A Broken Frame não seja uma obra-prima, nesse álbum as letras passaram do banal puramente dançante, ao esotérico. Exemplo disso é "The Sun And Rainfall", vejamos um de seus versos: "Alguém vai chamar / Alguém vai despencar / E se esborrachar no chão / Sem ao menos ler o texto / Já vi isso antes / E é doloroso".

Martin compôs "See You" aos 16 anos.

       Com músicas pensativas e ao mesmo tempo rápidas e alegres, Martin logo tornou-se mestre em mexer com emoções. "As pessoas me acham depressivo, mas não sou". E "A Question Of Lust"? "É uma música alegre, é alegre de certa maneira. Preste atenção, há otimismo em alguma parte dela.".
       Dois são os temas básicos explorados por Gore em suas melodias: Sexo "Provavelmente 70% de nossas músicas abordam esse tema, fico surpreso quando falo com as pessoas e elas consideram o sexo secundário." e religião. "Nunca fui um cristão devoto, nem nunca segui uma religião em especial, mas gosto da idéia de crença, inclusive em algumas canções existe claramente um clima gospel.". Falando em suas composições, isso é o máximo que você consegue de Martin. Se insistir, ele logo citará o exemplo de Chuck Barry, que confessou ter escrito "Sweet Little Sixteen", porque seu empresário lhe contou que essa era a idade da maioria dos seus fãs. "Para mim isso foi o fim. Não posso mais ouvir essa musica.".
       Uma coisa que realmente deixa Martin frustrado é a crítica britânica, que além de classificar sua musica como fria, vive lembrando de sua queda por roupas femininas. "Foi uma fase tão insignificante".

Martin e seu estilo extravagante.

       No finalzinho da década de 80, Gore deu uma escapadinha do DM, para gravar um disco solo. "Para falar a verdade, até pensei em fazer outro álbum solo, mas quando minha filha nasceu, aquilo parecia ser mais divertido do que voltar ao estúdio. Preferi ter uma filha e me envolver com Sega, Mega-Drive e Super Nintendo. Perdi meses com Sonic, The Medgehog.". Em Counterfeit E.P., Martin preferiu abrir mão de suas obsessões, para fazer versões de suas músicas favoritas.
       Em 1990, Martin compôs uma das melhores músicas de todos os tempos: "Enjoy The Silence". Ela não só garantiu o sucesso do álbum Violator, como também foi eleita a melhor música daquele ano, no Brit Awards. Três anos mais tarde, foi a vez de Songs Of Faith And Devotion, impulsionar ainda mais a carreira do Martin. Porém depois desse álbum tudo começou a dar errado. Diante inúmeros problemas acumulados desde o final da década passada, quase o Depeche Mode desapareceu para sempre. A maioria dos problemas vividos pelo DM, em grande parte eram reflexos dos problemas pessoais de seus integrantes. Assim como Dave havia se viciado em cocaína e heroína, Martin também acabou tendo problemas, devido ao uso abusivo de bebidas alcoólicas. Porém o nascimento de sua segunda filha Ava Lee, em 1995, lhe deu mais confiança e sobriedade. Por outro lado a banda cada vez mais dava sinais de realmente iria desaparecer. Diante essa obscura perspectiva sobre o futuro do Depeche, Martin acabou por colaborar com projetos de alguns artistas. Em 1995, gravou "Coming Back To You", para o álbum tributo a Leonard Cohen. Depois disso colaborou com o trabalho de outros artistas como Spirit Fell, Garbage e Ken Andrews.

Counterfeit de 1989... ...Counterfeit² de 2003.

       Em 2003, Martin lançou seu segundo álbum de covers, chamado Counterfeit², e acompanhou o lançamento do primeiro álbum solo de Dave Gahan, Paper Monters. Ao que parecia, esse álbum pôs o futuro do Depeche em risco, uma vez ele encorajou Dave o suficiente para, pela primeira vez, enfrentar Martin. Isso porquê, durante a promoção de Paper Monster, Dave declarou várias vezes que só voltaria a gravar com o Depeche Mode, se Martin fizesse concessões. A mais importante delas, seria aceitar a idéia de que num próximo álbum da banda, suas composições, também fossem incluídas. Ainda que o estilo apresentado por Dave em seu álbum solo, pouco ou quase nada tenha haver com o habitualmente feito pelo DM, ao que tudo indica, Martin se dispôs a aceitar as imposições de Dave, afinal mesmo com tanto tempo de estrada, ainda é no Depeche Mode onde Martin Gore consegue expressar melhor seus sentimentos.


Nome completo: Martin Lee Gore
Local e data de nascimento: Londres, 23 de julho de 1961
Residência atual: Santa Bárbara nos Estados Unidos
Esposa: Suzanne (casado desde 1994)
Filhos: Viva Lee (1991), Ava Lee (1995) e Calo Leon (2002).
Pais: Pamela e David Gore.
Irmãos: Karen e Jaqueline.
Temor: Acidentes automobilísticos.
Ambição: Nenhuma.
Bandas anteriores: Norman And The Worms, French Look e Composition Of Sound.
Grupos preferidos: Velvet Underground e Elvis Presley.
Melhor performance ao vivo: Nitzer Ebb.
Música preferida: "There Is A Ghost In My House" de R. Dean Taylor.
Primeiro show que assistiu: Talking Heads.
Quantas músicas compõem por ano: Entre dez e quinze.
Quantos anos tinha quando escreveu sua primeira letra: Treze e era espantosa.
Lado B do DM: "Ice Machine".
Pior disco do DM: A Broken Frame.
Canção favorita de seu álbum solo: "In A Manner Of Speaking".
Site oficial: www.martingore.com


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Seu casamento O que é isso? Em seu estúdio Ava, Viva e Calo Suzanne


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